Arquivo da categoria: Projetos de Ensino

Grupo de Pesquisa PRAGMA tem 14 trabalhos aprovados para o Intercom Nacional 2011

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, mais conhecida como Intercom, acaba de divulgar os trabalhos aceitos para a 34ª edição do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, que este ano será realizado na cidade de Recife-PE entre os dias 2 e 6 de setembro.

Dentre os artigos selecionados estão treze trabalhos oriundos do Grupo de Pesquisa Pragmática da Comunicação e da Mídia (GP Pragma), do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federa do Rio Grande do Norte. Ao todo, foram doze trabalhos selecionados para diversas Divisões Temáticas do Intercom Júnior e dois artigos para o Grupo de Pesquisa Comunicação para a Cidadania. Confira os resumos e autores dos artigos científicos.

RESUMOS DOS ARTIGOS

A Abordagem Sobre o Meio Ambiente Pelo Jornal Tribuna do Norte na Semana Nacional do Meio Ambiente (Natal/RN – Brasil – 2009)

Autores: Ádria Costa Siqueira, Tamires Camila de Rocha Oliveira, Itamar de Morais Nobre

Resumo: Analisa-se a abordagem sobre o meio ambiente pelo jornal Tribuna do Norte, durante a Semana Nacional do Meio Ambiente, compreendida no período de 01 a 07 de junho de 2009, na versão impressa do jornal. A pesquisa foi realizada através da análise de conteúdo. Constatamos a inexistência de menção à Semana Nacional do Meio Ambiente e ao Dia Internacional do Meio Ambiente, além de não existir nenhum caderno especial com temáticas ambientais abordando problemas do mundo e da cidade de Natal. Notamos que o jornal não faz nenhuma matéria especial e nenhuma abordagem de grande repercussão, mesmo em uma semana de grande importância nacional.

PALAVRAS-CHAVE: Meio ambiente; Semana do Meio Ambiente; Tribuna do Norte; jornalismo ambiental.

 

Análise do Ofício de Fotojornalista: Atribuições, Técnicas e Percepções

Autores: Luciana Salviano Marques da Silva, Itamar de Morais Nobre

Resumo: Analisa-se a prática do fotojornalista no jornal Tribuna do Norte, sediado na capital Natal, no Rio Grande do Norte, Nordeste do Brasil. Visamos examinar sua rotina, a partir das técnicas da observação participante, da entrevista aberta, pesquisa bibliográfica e do registro fotográfico. Notamos que mesmo com a chegada da tecnologia digital a dinâmica da redação continua intensa, apesar de não mais existir a produção das fotografias analógicas. Com a tecnologia digital ficou mais conveniente produzir fotografia para notícia, tendo em vista a facilitação na edição, que é precedida por uma seleção feita pelo fotógrafo com as fotografias ainda na máquina.

PALAVRAS-CHAVE: Fotojornalismo; Fotografia; Jornal; Repórter fotográfico.

A Perspectiva da Interatividade de Produtos Audiovisuais na Internet por Meio do Videocast “É Série!”

Autores: Myrianna Coeli Oliveira de Albuquerque, Maria Ângela Pavan

Resumo: Artigo desenvolvido como amostragem dos resultados obtidos no Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no curso de Comunicação social com habilitação em Radialismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, intitulado “Videocast é Série!”. O videocast tem como tema os seriados televisivos e possui uma estrutura interativa. Com o desenvolvimento desse projeto pôde-se apresentar os desafios e possibilidades do conteúdo audiovisual interativo para a internet.

Comunicação Comunitária e Alternativa em Tempos de Convergência Digital

Autores: André Araujo da Silva, Davi Alves Mazzo da Silva, Juliana Bulhões Alberto Dantas, Juciano de Sousa Lacerda

Resumo: O atual texto objetiva apresentar aspectos e algumas reflexões sobre a comunicação comunitária na região metropolitana de Natal. Traçamos inicialmente uma conceituação assim como uma apresentação histórica da comunicação comunitária e alternativa no Brasil, para posteriormente expor os dados e reflexões resultantes de nossa experiência, coletados no projeto da Universidade do Rio Grande do Norte, Comunicação Comunitária em Rede na Região Metropolitana de Natal orientada pelo professor doutor Juciano de Sousa Lacerda que desenvolve um trabalho numa perspectiva de Ação Acadêmica Associada de pesquisa, ensino e extensão. Mostramos nesse trabalho como estão sendo utilizadas as tecnologias digitais pelos projetos de comunicação alternativa, comunitária e local na região metropolitana de Natal.

Futebol e a Marca Brasil: paixão nacional, reconhecimento internacional

Autores: Aryovaldo de Castro Axevedo Junior, Luís Roberto Rossi del Carratore, Francisco Solano Gomes Filho, Lucas Diniz Correia e Aquino e Rafael Medeiros de Oliveira

Resumo: O presente artigo relaciona o binÿmio Futebol e Marca Brasil, enfatizando o modo pelo qual este esporte conseguiu se enraizar na cultura brasileira e, em seguida, levou consigo a identidade brasileira para o resto do mundo. Um breve histórico do esporte, relatando suas origens e sua chegada em território nacional, os fatores responsáveis por transformá-lo numa grande paixão nacional e tornar-se sinÿnimo da brasilidade, com enfoque na influência dos mass media na formação da opinião pública nacional. Posteriormente, uma digressão sobre como o futebol se tornou um grande negócio e sua utilização pelo marketing, concluindo com um  breve estudo de caso sobre a marca Penalty que, valendo-se do conceito de brasilidade, busca seu reposicionamento no mercado.

Palavras-chave: Futebol; Marca Brasil; Brasilidade; Marketing; Publicidade.

Imagens no tempo presente de um olhar construído no passado, no documentário “O samba que mora em mim”

Autores: Maria Angela Pavan, Maria do Socorro Furtado Veloso

Resumo: Este artigo pretende mostrar o olhar afetivo da cineasta Geórgia Guerra Peixe em relação ao samba no documentário O samba que mora em mim. Sua escolha ao subir o Morro da Mangueira é destacar a percepção poética que resiste em seu imaginário a partir das informações que ouvia do pai, o maestro César Guerra Peixe. Para realizar o estudo entrevistamos a cineasta, coletamos informações publicadas na imprensa no período de lançamento do documentário, em fevereiro de 2011, e procedemos a uma análise fílmica. Foi possível perceber que o processo de construção das imagens seguiu o olhar reflexivo da cineasta. Ela nos oferece, a partir desta reflexão, um documento que justifica o uso da primeira pessoa, tão valorizado na contemporaneidade. Mesmo que parcialmente, este artigo tenta mostrar que as lembranças e o afeto nos conduzem ao tempo/espaço diante das imagens que são construídas ao longo de nossas vidas.

Palavras-chave: Memória e imagem; linguagem do documentário; narrativa cinematográfica, produção de sentido

Lightpainting: origem e desenvolvimento da arte de pintar com a luz

Autores: Rafaela Bernardazzi Torrens Leite, Vanessa Paula Trigueiro Moura, Itamar de Morais NOBRE

Resumo: O fotógrafo do lightpainting vivencia a fotografia como linguagem a partir da criação de uma cena representativa complexa em que o elemento base do registro fotográfico, a luz, é o referente principal insubstituível. Como técnica fotográfica, inúmeros fatores contribuem para a popularização do lightpainting, que se encontra em uma constante e contínua realidade de expansão prática. O presente artigo, devido à falta de pesquisas e material teórico na área, busca apresentar um panorama histórico, definir o quão abrangente é este conceito e expor as diversas possibilidades tipológicas e estéticas proporcionadas pela fotografia ligthpainitng. Os resultados farão parte de constatações empíricas intercaladas com estudo bibliográfico de teóricos da fotografia.

PALAVRAS-CHAVE: Lightpainting; fotografia; luz;

O Uso de Encontros de Comunicação Para Estabelecimento de “Redes” e o Debate Midiático: Uma Análise do I Encontro de Comunicação Comunitária e Alternativa da Região Metropolitana de Natal

Autores: André Araújo da Silva, Juliana Bulhões Alberto Dantas e Juciano de Sousa Lacerda

Resumo: O presente trabalho almeja refletir sobre a extensão universitária como forma de ampliar o saber acadêmico, fazendo uma análise das ações praticadas pelo projeto de ação acadêmica associada “Convergência Digital no cotidiano das práticas de Comunicação Comunitária e Alternativa em Rede na Região Metropolitana de Natal-RN”. Como resultado das ações do  projeto, citamos e analisamos o  1º Encontro de Comunicação Comunitária e Alternativa da Região Metropolitana de Natal, que aconteceu em novembro de 2010 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como forma de estabelecer “redes” e promover o debate midiático.

Pesquisa da Pesquisa Sobre Usos e Apropriações das TICs: um balanço aquém das expectativas

Autores: Juciano de Sousa Lacerda, Helena Velcic Maziviero

Resumo: Apresentamos neste texto o relato dos resultados da “pesquisa da pesquisa” sobre usos e apropriações das tecnologias da informação e da comunicação (TICs) em lan houses e telecentros de acesso público gratuito. Esta pesquisa da pesquisa se caracteriza pelo levantamento e sistematização de artigos publicados em revistas do Qualis/CAPES dos estratos A1 a B5, entre 2006 e 2010, a partir dos resumos indexados sobre o tema em questão, além da análise aprofundada dos textos que abordam os conceitos de “uso” e “apropriação”. O avanço e popularização das TICs parecem ainda não ter sensibilizado a produção do conhecimento científico na área da Comunicação sobre o eixo da retomada dos “usos e apropriações” como perspectiva de caracterização das práticas de cidadania cultural pelo viés do consumo das TICs.

Relato de Experiência com o repórter fotográfico Aldair Dantas no Jornal Tribuna do Norte.

Autores: Gunther Fernandes Guedes, Itamar de Morais Nobre

Resumo: Analisa-se o cotidiano de um repórter fotográfico no estado do Rio Grande do Norte – em especial o repórter fotográfico Aldair Dantas do jornal Tribuna do Norte, o jornal com a maior circulação do estado do RN. Para tanto, lançou-se mão de um estudo de caso, com visita in loco e análise da profissão. Observa-se que o repórter fotográfico estudado é recente na profissão e tem uma maior disponibilidade de acompanhamento que os demais. Conclui-se que após a análise que a maior parte dos repórteres fotográficos do estado não são graduados em comunicação social, possuindo apenas conhecimento prático na área. Nota-se ainda que a profissão ainda receba pouco valor agregado mediante análise da disposição de espaço, material, recursos, contratações e contatos com os profissionais.

PALAVRAS-CHAVE: Rio Grande do Norte; Repórter Fotográfico; Aldair Dantas; Tribuna do Norte; estudo de caso.

Repórter fotográfico in Loco: relato de experiência sobre a prática do fotojornalismo no Jornal de Hoje

Autores: Kamyla Álvares Pinto, Itamar de Morais Nobre

Resumo: Este artigo consiste em um relato de experiência sobre a visita realizada pela discente do Curso de Jornalismo ao Jornal de Hoje, com o propósito de analisar a atividade do repórter fotográfico bem como entender o diálogo produzido em sala de aula na disciplina de fotojornalismo. A atividade do repórter fotográfico, no periódico potiguar, foi acompanhada in loco e, por isso, recorreu-se a observação, que consistiu no “ouvir, olhar e perceber” o trabalho do repórter, além da entrevista, do registro fotográfico e da pesquisa bibliográfica. Percebemos aspectos relevantes que suscitam discussões sobre o fotojornalismo na era digital, na qual a sociedade passa a se relacionar de forma diferente com a imagem fotográfica.

Palavras-chave: Fotojornalismo. Jornal. Repórter Fotográfico.

Uma análise qualitativa da cobertura jornalística da morte de Michael Jackson realizada por revistas brasileiras e portuguesas

Autoras: Flávia Pessoa Serafim e Maria Erica de Oliveira Lima

Resumo: Há cerca de dois anos falecia Michael Jackson, artista que ficou mundialmente conhecido como o Rei do Pop. Sua morte foi um acontecimento significativo no campo jornalístico e, dessa forma, gerou várias coberturas em diversos veículos. O objetivo desse trabalho, portanto, é analisar a cobertura desse acontecimento realizada por revistas semanais de informação generalista de dois países lusófonos: Brasil e Portugal. Pretende-se, aqui, fazer uma análise comparativa, com o intuito de detectar diferenças e semelhanças nas coberturas realizadas por órgãos jornalísticos desses dois países. Foram trabalhadas as edições de três revistas brasileiras (Veja, IstoÉ e Época) e três portuguesas (Sábado, Focus e Visão), as quais tiveram sua publicação na semana da morte do artista.

Palavras-chave: Jornalismo de revista; cobertura jornalística; Michael Jackson; Brasil e Portugal.

Usos e apropriações das TICs: um balanço da pesquisa da pesquisa em dissertações e teses do campo da comunicação

Autores: Luciana Lima Garcia, Amanda Cínthia Medeiros e Silva, Helena Velcic Maziviero, Juciano de Sousa Lacerda

Resumo: O presente trabalho objetiva analisar os termos ‘uso’ e ‘apropriação’ quando abordados conceitualmente em 44 textos levantados a partir dos bancos de dissertações e teses dos 54 Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas I – Comunicação; tais textos foram defendidos e/ou publicados entre os anos de 2006 e 2010, e estavam disponíveis em formato eletrônico. Baseado na proposta de ‘pesquisa da pesquisa’, foi desenvolvido um quadro sistemático a partir dos resumos indexados aos trabalhos científicos, abordando objetos, objetivos, metodologia e resultados preliminares; seguido de uma análise acerca da forma como estes termos eram apresentados conceitualmente. A desconstrução metodológica das dissertações e teses evidenciou que, apesar de serem essenciais aos estudos desenvolvidos, os conceitos aqui analisados aparecem de forma pouco clara e não frequente.

 

Vozes do Morro – Fala, Mãe Luiza!

Autores: Rayanne de Azevedo Carvalho, Maria do Socorro Furtado Veloso

Resumo: Este artigo trata da experiência em comunicação comunitária encabeçada pelo jornal Fala Mãe Luiza – publicação impressa sob responsabilidade do Centro Sócio Pastoral Nossa Senhora da Conceição que circulou no bairro de Mãe Luiza no início da década de 1990 até o segundo semestre de 2009. Através de pesquisa bibliográfica e documental, buscou-se analisar as edições sob o viés da comunicação comunitária, e investigar de que forma o jornal contribuiu para o exercício da cidadania. Conclui-se que o Fala Mãe Luiza constituiu-se em espaço plural que contribuiu para a mobilização e organização dos moradores em torno de objetivos comuns pela melhoria nas condições de existência.

Lista de revistas sobre Comunicação que possuem Qualis

O site Comunicação e Política acaba de divulgar lista com revistas da área de Comunicação que possuem Qualis. Confira:

http://www.comunicacaoepolitica.com.br/blog/revistas/

“A lista das revistas abaixo é uma atualização do realizado pelo  Núcleo de Pesquisa em Informação, Tecnologias e Práticas Sociais. A lista abaixo considera a listagem original do grupo (atualizada até 2008), retirando da lista as revistas que não tenham mais qualis e também as que não dispõem website próprio.”

UFRN foi a universidade mais premiada do Intercom Nordeste

Doze alunos de comunicação social da UFRN foram premiados na etapa regional do congresso mais importante da área.

Por Paula Trigueiro / Agência Fotec

O professor Itamar Nobre também representou a UFRN na premiação do Expocom Nordeste. (Foto: Paula Trigueiro/Fotec)

O encerramento do Intercom Nordeste 2011, na noite da última sexta (17), não trouxe muitas surpresas para os alunos de Comunicação Social da UFRN. Pelo segundo ano consecutivo, a universidade foi a mais premiada da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom), mostra competitiva que reúne produções de alunos do curso de Comunicação Social de diversas instituições de ensino da região Nordeste.

Foram 12 os alunos premiados nas categorias cinema e audiovisual, jornalismo e produção transdisciplinar em comunicação. Os vencedores do Expocom Regional poderão representar as suas instituições na etapa nacional do evento, que ocorrerá em Recife em setembro deste ano.

Os premiados:

Jamaika Lima – Filme de ficção
Ricardo Pinto – Filme de animação
Jomar da Cunha Dantas – Filme de não-ficção / documentário / docudrama
Hélio Ronyvon G. Rocha – Roteiro
Rafaela Bernardazzi T. Leite – Vídeo Minuto
Yasmim K. Morais da Costa – Videoclipe
Joanisa Prates Boeira – Programa Avulso de áudio/Rádio
Patrícia de Carvalho Silva – Radionovela
Bruno Henrique de Souza Evangelista – Vinheta de TV
Gilberto Carvalho – Revista impressa
Fagner Farias de Macêdo – Produção em jornalismo interpretativo – Perfil
Bruno César Brito Viana – Revista customizada

O fim da educação, por Nelson Pretto

A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho, uma sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de datilografar, um telefone – que na verdade não funcionava lá muito bem! -, papel e caneta.

Os livros, estavam na biblioteca ou os comprávamos, porque também não se publicava tanto quanto hoje. Dividia a sala com mais um colega e, dessa forma, fazia minhas pesquisas sobre o ensino de ciências e dava aulas na graduação. Depois, passei a integrar o corpo docente da pós-graduação em Educação e, também por lá, sem nenhum luxo e bem menos infra, tinha as condições mínimas para pesquisar sobre a qualidade dos livros didáticos, campo inicial de pesquisa na minha vida universitária.

O tempo foi passando e a universidade foi se especializando no seu novo jeito de ser. Foi crescendo e ganhando força a pós-graduação, apareceram os grupos de pesquisas que passaram a ser cadastrados no CNPq, surgiu o Currículo Lattes – o Orkut da academia -, a CAPES intensificou a avaliação da pós-graduação e… a guerra começou. Com as demandas para a pesquisa cada dia sendo maiores e o com os recursos minguando (o Brasil investe em C&T apenas 1,2% do PIB enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem 2,7%), a avaliação da produtividade – palavrinha estranha no campo da pesquisa científica, não?! – ganha corpo, no Brasil e no mundo.

“Publicar ou perecer” virou o mantra de todo professor-pesquisador. Mais do que isso, nas universidades não temos mais aquelas condições básicas dadas pela própria instituição já que, de um lado, ela foi perdendo cada vez mais seu orçamento de custeio e, de outro, as demandas aumentaram muito uma vez que, mesmo na área das Humanas, necessitamos de muito mais tecnologia.
Por conta disso, temos que, literalmente, “correr atrás” de recursos através dos chamados editais. Assim, cada grupo de pesquisa vive em função de sua capacidade de captação de recursos – quem diria que estaríamos falando assim, não é?! – e transformaram-se em verdadeiros setores administrativos nas universidades.

Demandam secretários, contadores (esses, seguramente, os mais importantes!), administradores, bibliotecários, constituindo-se em um verdadeiro aparato burocrático para dar conta das cobranças formais de cada um destes editais e de suas famigeradas prestações de contas.

Pois quando pensamos que já estávamos no limite, e os colegas Waldemar Sguissardi e João dos Reis da Silva Jr com o seu “O trabalho intensificado nas Federais” mostraram bem o fundo do poço, sabemos através do colega Manoel Barral-Neto no seu blog “Sciencia totum circumit orbem” que pesquisadores chineses estão recebendo um “estímulo” equivalente a 50 mil reais para publicar suas pesquisas nas revistas de “alto impacto” científico, a exemplo da Science. Nos comentários que se seguiram ao texto, tomamos conhecimento com a postagem de Renato J. Ribeiro que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) está dando um prêmio de cerca de 15 mil reais para quem publicar na Science ou Nature, duas revistas de alto “fator de impacto”.

Também de São Paulo outra noticia veio à tona recentemente: o resultado da última avaliação realizada pelo Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os estudantes não se deram muito bem na avaliação de 2010. É com base no rendimento dos alunos que os professores da rede estadual paulista recebem uma gratificação – um bônus – no seu salário, num esquema denominado “pagamento por performace”, implantando no Estado supostamente para “estimular” a melhoria da educação paulista. O que se viu com os últimos resultados é que essa estratégia não funcionou.

E não funcionou porque esse não pode ser o foco da avaliação da educação. A educação, em todos os níveis, precisa ser fortalecida, mas não como o espaço da competição e sim como um espaço de formação de valores, da colaboração e da ética. Em qualquer dos seus níveis, a educação precisa ser compreendida como um direito de todo o cidadão e que não pode ser trocada por uns trocados.

Lembro Milton Santos: “essa ideia de que a universidade é uma instituição como qualquer outra, o que inclui até mesmo a sua associação com o mercado, dificulta muito esse exercício de pensar”. De fato, com um dinheirinho extra por cada publicação, com um novo edital disponível para o próximo projeto, com a avaliação da CAPES na pós-graduação batendo às portas, deixando todos de cabelo em pé, e com a lógica do “publicar ou perecer”, parece que estamos chegando perto do fim da universidade enquanto espaço do pensar e do criar conceitos. Viramos, pura e simplesmente, o espaço da reprodução do instituído. E isso é, no mínimo, lamentável. Na verdade, é o próprio fim da educação.

* Nelson Pretto é professor e já foi diretor (2000-2004 e 2004-2008) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Físico, mestre em Educação e Doutor em Comunicação.

Olá, mundo!

Seja bem-vindo ao blog do Grupo de Pesquisa Pragma – Pragmática da Comunicação e da Mídia: teorias, linguagens, indústrias culturais e cidadania, do Departamento de Comunicação Social da UFRN, sediado no Campus da cidade de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte.

O grupo de pesquisa Pragma se constitui num processo participativo englobando as várias experiências profissionais, os aportes teóricos e as práticas nos campos da pesquisa, ensino e extensão. O grupo se fortalece com as interfaces que se criam e as interdisciplinaridades que se tornam possíveis, no contexto da renovação do corpo docente do Departamento de Comunicação Social da UFRN, configurado nos últimos cinco anos. São seis doutores, entre um e seis anos de titulação, e um professor-doutorando em Ciências Sociais na UFRN. A experiência docente e de pesquisa está entre cinco e 18 anos. A formação é diversificada tanto em área de conhecimento como em instituições de titulação: Comunicação/ECA-USP, Multimeios/Unicamp, Comunicação/Metodista, Ciências Sociais/UFRN, Processos Midiáticos/Unisinos. Os interesses de pesquisa e a produção teórica dos participantes do grupo convergem em três eixos: A) Comunicação e Linguagens, B) Indústrias Culturais, C) Comunicação e Cidadania.

Atualmente, atuamos em projetos de pesquisa, ensino e extensão, tendo 29 alunos envolvidos entre discentes de Mestrado, orientandos de Iniciação Científica, Monitoria, bolsistas de extensão, orientandos de TCC e voluntários.

Por aqui, publicaremos informes de pesquisa, de publicações, novidades no campo da comunicação, relatos de experiências teórico-metodológicas e de intervenção comunitária, entre outras coisas.